Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Governo esconde mortos...

 

Segurança rodoviária 

Portugal

esconde mortos nas estradas

 

As autoridades admitem rever a forma como são contadas as vítimas.
Domingo, 21 de Set de 2008 Expresso
 
Morre-se mais nas estradas portuguesas do que dizem os números oficiais.
 
 Estudos da PSP e do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML)
provam que as estatísticas de sinistralidade que o
Governo envia para a União Europeia não reflectem a realidade.
 
 
De acordo com o INML, no primeiro semestre do ano morreram em todo o país 487 pessoas em acidentes de viação e não 347, como diz a
Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Mais 40%.
 
 
Em Lisboa os números da polícia, relativamente aos últimos três anos,
são o dobro dos registados
pela entidade tutelada pelo Ministério da Administração Interna.
Em 156 mortes ocorridas, apenas 80 foram registadas.

O Governo sabe que as vítimas mortais de acidentes rodoviários são muito mais do que os números divulgados.
Mesmo assim, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, e o presidente da ANSR, Rui Marques, estiveram lado a lado esta semana
a anunciar resultados de sucesso em matéria de sinistralidade.
 
 
 Menos 44 mortos até 15 de Setembro que em igual período de 2007.
Valores longe de serem os reais.

Desde 1998 o total de mortes que entra na base de dados europeia - para a qual Portugal apenas envia aquelas cujo óbito foi declarado no local do acidente -
é aumentado em 14%.
 
 
Este factor de correcção resultou de uma estimativa feita na altura por autoridades hospitalares, como sendo a percentagem aproximada de feridos graves que faleciam nos hospitais.
Informações obtidas junto ao gabinete da Direcção de Transportes da UE dizem que Portugal é o único país que só conta a mortalidade verificada no local do acidente.

Mas, segundo um trabalho feito na Escola Superior da PSP, coordenado pelo comandante do núcleo de investigação de acidentes, uma possível melhoria de eficácia dos meios de socorro tem feito com que as vítimas sejam retiradas dos desastres mais depressa, vindo a morrer depois no hospital, sendo assim subtraídas às estatísticas.

Este estudo, feito por um oficial finalista da Escola, com base em números oficiais da PSP de Lisboa, mostra que as mortes nas unidades hospitalares, eram de 38% em 2005, de 48% em 2006 e em 2007 atingiram os 62%.

A nível nacional essa mesma evidência é dada pelo INML:
em 2007 foram autopsiados 1178 vítimas de acidentes de viação, mais 37% que diz a ANSR no seu relatório.
Já este ano, a diferença mostra que o factor de correcção devia ser, pelo menos, o triplo.
Até 30 de Junho foram feitas 487 autópsias, mais 140 mortes que o número do MAI.

"Este desajuste preocupante", escreve o oficial da PSP na sua investigação, "impede que os valores registados, mesmo com os factores de correcção, representem eficientemente a realidade",
sob pena de "neutralizar a estratégia" contra a sinistralidade.

Em Dezembro do ano passado, o Expresso publicou um artigo no qual, através de um cruzamento de dados estatísticos da PSP, a Procuradoria de Lisboa e a Direcção-Geral de Saúde, já se demonstrava algumas discrepâncias.
Na altura o gabinete de Rui Pereira respondeu pela ANSR - cujo presidente nunca foi autorizado a falar - afirmando que continuava a confiar na estimativa feita há 10 anos.

Desta vez, mais cauteloso, o porta-voz oficial admitiu que não podem ignorar mais tempo a realidade.
"No âmbito da Estratégia de Segurança Rodoviária, por sugestão da ANSR e proposta da Secretaria de Estado da Protecção Civil, vai ser criado um grupo de trabalho para verificar qual é o método mais adequado e rigoroso para quantificar o número de mortos", declarou.

Ao que o Expresso apurou, para esta mudança de atitude contribuíram pressões a vários níveis, junto à ANSR, por parte quer dos especialistas da polícia, quer de associações cívicas.
Uma delas, a Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados prepara-se até para denunciar a situação ao mais alto nível.
"Vamos apresentar uma queixa à Organização Mundial de Saúde,
à Comissão Europeia e ao Parlamento Europeu por estar a enviar estatísticas falsas",
garante Manuel João Ramos, dirigente da ACA-M, para quem "o Governo não pode continuar a ignorar estas mortes, à custa das quais faz a sua propaganda".

Se enfrentar a realidade, Portugal voltará ao fundo na tabela europeia.
Em vez do 12º lugar, entre os 27 da UE, em que nos encontrávamos em 2006, cairíamos para o 19º lugar. Só com países de Leste atrás de nós.
 
ACIDENTES MORTAIS  
487 autópsias a vítimas de acidentes foram feitas no primeiro semestre deste ano
  347 é o número de mortes assumido pela Autoridade de Segurança Rodoviária para igual período
   150 Pessoas morreram em acidentes em Lisboa nos últimos três anos.
Na estatística oficial ficaram apenas 80

Artigo publicado na edição impressa de 21 de Setembro de 2008, 1º Caderno, página 16.

 

 

Quadro negro da segurança rodoviária
2008-10-13 Jornal de Notícias
 
A segurança rodoviária
foi tema de discussão na assembleia anual da
Federação Europeia das Vítimas da Estrada
na qual foi traçado um quadro negro para Portugal.
 
 
Um conclusão apresentada no dia em que a PSP sai às ruas para uma campanha de sensibilização para o uso correcto das cadeiras para crianças.
 
Aquela entidade pondera mesmo queixar-se ao
Conselho de Segurança Rodoviário Europeu
do que diz serem as "falsas estatísticas" sobre mortes
e pedir que seja retirado a Portugal o prémio que lhe fora atribuído pela redução no índice de vítimas na estrada.
 
Em declarações à agência Lusa, Manuel João Ramos adiantou que na assembleia anual, que decorreu domingo em Barcelona, Espanha, foram debatidos alguns problemas europeus a nível da sinistralidade na qual
Portugal surge "com má imagem". 
 
Nessa reunião, Manuel João Ramos foi nomeado para um dos três cargos de direcção da Federação Europeia das Vítimas da Estrada.
 
"Aqui tive a oportunidade de ver e ouvir ao vivo os vários problemas e soluções de mobilidade e de acessibilidades nas cidades a nível mundial e problemas rodoviários e posso dizer que Portugal não fica nada bem no retrato geral", disse.
 
De acordo com Manuel João Ramos, foram apontadas, entre outras, a falta de trabalho e de coordenação ao nível da administração central e má aplicação das verbas e dos investimentos a nível local.
 
"Outro dos problemas é o da passividade do cidadão português perante tudo isto, o que é preocupante", referiu.
 
Manuel João Ramos disse ainda ter apresentado dados que, na sua opinião,
"mostram as falsas estatísticas em Portugal".
 
"Portugal é o único país que não contabiliza os mortos a 30 dias.
Queremos saber porque é que não se conta e o que se faz aos mortos, pois a diferença entre os números oficiais e os números divulgados que dão conta de
mais 40 por cento em relação aos números oficias são preocupantes", disse.
 
Manuel João Ramos adiantou ainda que a Federação - que tem assento junto da Organização Mundial de Saúde - está a ponderar fazer uma queixa ao
Conselho de Segurança Rodoviário Europeu para que seja
retirado a Portugal o prémio que lhe foi atribuído
por causa da redução do índice de números de mortos na estrada.
 
"Consideramos que a atribuição do prémio é questionável", concluiu.
Sobre o Dia Europeu da Sinistralidade Rodoviária, que hoje se assinala, Manuel João Ramos adiantou que a
Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados vai estar presente numa mesa redonda que conta com a participação de
11 entidades com intervenção no domínio da prevenção rodoviária.
 
Manuel João Ramos realçou que no debate pretende-se fazer um ponto da situação da questão da sinistralidade em Portugal discutir a estratégia de prevenção rodoviária aprovada, as dificuldades das associações em realizarem campanhas de prevenção em Portugal no actual modelo de financiamento e o balanço dos projectos implementados.
 
"Achámos importante que houvesse um debate importante sobre aquilo que é o contributo do governo central, autoridades locais, sociedade civil, organizações não governamentais e organizações como a Cruz Vermelha que prestam ajuda na área da segurança rodoviária e da emergência médica", disse.
 
O Dia Europeu da Sinistralidade Rodoviária foi instituído em 2007 pela Comissão Europeia e este ano a data tem como tema a segurança rodoviária nas
cidades, onde ocorrem dois terços dos acidentes registados.
 
 

Algum dia deixaremos de ser o Portugal do faz de conta?

 

 

"A sociedade, a família e o homem expiam incessantemente a culpa do homem,

da família e da sociedade".

Camilo Castelo Branco

 

"Quem foge dos deveres sociais é um desertor".

Marco Aurélio

 

 

publicado por cambiantevelador às 23:29
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