Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

O "DIABO" da velocidade...

 Histórias de Ontem e histórias de Hoje:

 

Em 17 de Agosto de 1896, Bridget Driscoll, uma mulher de 44 anos, foi a primeira pessoa a ser morta por uma viatura motorizada. Foi atropelada por um carro. As testemunhas afirmaram que o automóvel ia a uma velocidade “tremenda”: talvez a viatura circula-se a 12,8 Km/h, em vez dos 6,4 Km/h permitidos. (Newsletter do INEM, Maio 2005)
 
 
A história do Padre António Rodrigues em Santa Comba Dão que é amante das velocidade e tem um Fiesta ST200 único em Portugal.
 
O DIABO DA VELOCIDADE

Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.

A Sua Santidade o Papa Bento XVI
Sumo Pontífice da Igreja Católica
A Sua Eminência Reverendíssima Dom Jorge da Costa Ortiga, Arcebispo de Braga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa
A Sua Eminência Reverendíssima Dom Alfio Rapisarda
Núncio Apostólico da Cúria Romana em Portugal
A Sua Excelência Reverendíssima Dom Ilídio Pinto Leandro
Bispo de Viseu
A Sua Reverência Padre António Rodrigues
Pároco do Couto do Mosteiro

Dirigimo-nos a V. Santidade para apresentar o seguinte pleito:

O comportamento rodoviário anti-social do Sr. Padre António Rodrigues, pároco do Couto do Mosteiro, em Santa Comba Dão, foi noticiado ontem, dia 21/03/07, em alguns jornais diários portugueses (Público, p. 14, “Um padre movido a fé e adrenalina”, 24 Horas, p. 21, “O padre tem uma máquina... dos diabos”).

O Sr. Padre António Rodrigues orgulha-se de ser proprietário de uma “autêntica bomba”, um Ford Fiesta 200 ST de 150 cavalos de potência, adquirido “no estrangeiro”, e de
“andar no picanço na A25” (competir com outros utentes daquela que já foi conhecida internacionalmente como a “estrada da morte”, tantas foram as vítimas mortais naquele trajecto).

O Sr. Padre António Rodrigues, que afirma gostar da “adrenalina provocada pela velocidade” e “de sentir a potência debaixo do pé”, vangloria-se ainda de o seu automóvel chegar facilmente aos
210km/h, acrescentando que “Graças a Deus” nunca foi multado, e que, antes de padre é um ser humano.

Finalmente, admite que utiliza o seu carro para levar os jovens [das aldeias] a “dar uma volta”, e para
“chegar a tempo às 3 igrejas da paróquia” (que distam entre si não mais que 13 km).

Foi com horror que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados tomou conhecimento destas notícias. E é com natural incómodo que nos dirigimos a V. Santidade para notar que:

1) Um padre é um cidadão. Nesse sentido, não pode colocar os seus deveres de padre (chegar a horas às diferentes igrejas onde oficia, transportar jovens entre aldeias) à frente dos de cidadão. Numa palavra, não se pode colocar acima da lei da República Portuguesa.
2) Um padre católico é um homem, mas antes de ser homem é padre. Caso pusesse o ser “homem normal” antes do sacerdócio, não haveria motivo para cumprir o princípio do Celibato. Ora um padre tem de dar o exemplo, porque nele o Sentido Ético é o mais importante.
3) Um padre é um predicador – não por acaso é tantas vezes também professor de Religião e Moral. Um guia espiritual que molda o comportamento e valores de outrem.
4) Um padre é, sine qua non, um modelo de virtudes – não pode ser um repositório de pecados.

O arrepiante comportamento descrito nas notícias testemunha um
deslumbramento ingénuo pela velocidade, pela ilegalidade, e pela irresponsabilidade social, que é seguramente condenável pela hierarquia da Igreja católica.

Mais ainda, o Sr. Padre António Rodrigues parece crer, na sua cega vaidade, que a providência divina o favorece, permitindo-lhe fugir às sanções judiciárias humanas. Como ele diz: “Graças a Deus, não [sei] o que é uma multa”.

Acreditamos que o Sr. Padre António Rodrigues não esteja agindo de má fé, e acreditamos ele conseguirá arrepiar caminho e compreender quão longe se encontra hoje dos valores implícitos no sacerdócio que assumiu. Vimos assim pedir a V. Santidade
que ajude este infeliz pároco a ponderar a gravidade dos seus actos e a imodéstia das suas palavras, e a resistir às tentações conjugadas da velocidade e da vanglória.
Despedimo-nos respeitosamente.
Direcção da ACA-M Lisboa, 21/03/07
http://www.aca-m.org/w/index.php5?title=O_diabo_da_velocidade
 
- Estudos efectuados indicam que, em mais de 90% dos acidentes existe algum grau de responsabilidade de pelo menos, um dos utentes intervenientes.
- A atitude e a competência dos utentes, dependem da sua educação, enquanto cidadãos e da sua formação enquanto utilizadores da infra-estrutura rodoviária, temos a obrigação de adoptar comportamentos que minorem a probabilidade de acontecer um acidente e na estrada devemos praticar um comportamento responsável e consciente.
 
 
Observação de Mae West
“Errar é humano, mas sabe divinamente”.
 
 

 

publicado por cambiantevelador às 23:21
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