Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

RISCO RODOVIÁRIO...

 

Mortes por acidentes superam as estatísticas – Falta do
 Plano Nacional do Trauma  compromete números da sinistralidade
00h30m GINA PEREIRA
 
O número de mortes por acidentes de viação dos relatórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária está aquém da realidade e só o Plano Nacional do Trauma – que o Governo pôs na gaveta – podia revelar esta realidade.
 
A denúncia é feita por Manuel João Ramos, presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) e organizador do colóquio interdisciplinar "Risco e Trauma Rodoviário em Portugal", que ontem e hoje decorre no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa.
Segundo o professor, o Plano Nacional do Trauma "estava previsto para esta legislatura" e "em 2006 estava bastante avançado", mas foi "mandado parar" pelo anterior ministro da Saúde, Correia de Campos. Desde então, Manuel João Ramos nunca mais ouviu falar desta ferramenta que, em seu entender, "é uma peça muito importante para qualquer Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR)".
 
Actualmente, os dados avançados pelos relatórios da ANSR contabilizam apenas as vítimas que morrem no local do acidente ou a caminho do hospital e deixam de fora as pessoas que acabam por morrer no hospital, sucumbindo aos ferimentos, dias depois do acidente. Manuel João Ramos garante que o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) "fala em mais 40% de mortes do que aquelas que são declaradas", um número bem acima dos 14% a mais que são todos em conta pelas estatísticas europeias.
 
O número de "mortes a 30 dias" é uma das questões recorrentes quando se fala de sinistralidade rodoviária em Portugal.

http://www.ansr.pt/Portals/0/not/Morto_30_dias.pdf

 

Em Dezembro, o Governo determinou a criação de um grupo interministerial, composto por nove entidades - ANSR, Direcção Geral da Saúde, Administração Central do Sistema de Saúde, PSP, GNR, Ministério Público, INEM, Instituto Nacional de Estatística e INML - com vista a estudar a melhor forma de acompanhar esta realidade e registar estes números. O trabalho deverá estar concluído a 30 de Junho, mas Manuel João Ramos diz que, até agora, "só houve uma reunião" e dúvida da vontade do Governo em avançar com este registo.
 
"Não interessa ao Governo avançar com isto antes das eleições", diz, admitindo que estes números vão "estragar" as boas notícias que têm vindo a ser divulgadas da diminuição da sinistralidade rodoviária em Portugal.
No colóquio do ISCTE, organizado pelo mestrado em "Risco, Trauma e Sociedade", estão em discussão vários assuntos relacionados com a sinistralidade rodoviária, "para mostrar que é um problema complexo, multidisciplinar e que não se resolve na esfera da Administração Interna", defendeu, ao JN, Manuel João Ramos. Os grupos de risco em meio rodoviário, a importância dos registos estatísticos, as perturbações de stress pós-traumático em vítimas de acidentes e o papel da reabilitação foram alguns dos assuntos ontem em debate.
 
A falta de campanhas de sensibilização dirigidas aos peões esteve em cima da mesa. Só na cidade de Lisboa, no ano passado, foram atropeladas 722 pessoas, a maioria (61%) fora das passadeiras. "É um dos principais problemas da sinistralidade na cidade", admitiu João Pinheiro, comissário da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, explicando que os peões com mais de 65 anos são um dos principais grupos de risco.
 
Os outros grupos – à semelhança do que se verifica a nível nacional – são os motociclistas (este ano, das quatro vítimas mortais contabilizadas, três são motociclistas e a outra um peão) e os condutores mais jovens que abusam da velocidade e do álcool.
 
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1210725
 
Organização: ACA-M e Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade - ISCTE
Com o apoio de: Liberty Seguros, BTLS-Portugal, Cruz Vermelha Portuguesa, Fundação para a Ciência e Tecnologia e CR&M.

Contactos: Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, Tel: 217801997, Tlm: 931406941, e-mail: aca-m@aca-m.org
 
A sinistralidade rodoviária é acidental ou um fenómeno de natureza epidémica? Qual a relação entre risco praticado, risco percebido e risco esperado? As patologias e o stress decorrentes de um trauma rodoviário são, ou não, equivalentes ao trauma em situação de guerra?
 
Estas são algumas das questões que o Colóquio Interdisciplinar sobre Risco e Trauma Rodoviário em Portugal procurará responder, nos dias 23 e 24 de Abril de 2009.
Em anos recentes, têm sido realizados em Portugal diversos estudos sobre risco e trauma rodoviário no interior de diferentes áreas de especialização – seja das ciências sociais, criminais ou de saúde pública. No entanto, o confronto dos resultados de tais investigações em contexto interdisciplinar tem sido limitado, a sua difusão pública quase nula e o contacto entre especialistas casuístico.
 
Atendendo à vocação interdisciplinar do Mestrado de Risco, Trauma e Sociedade do ISCTE, justifica-se a intenção de promover no seu âmbito um debate público alargado e cruzado sobre estas temáticas, juntando especialistas oriundos de várias áreas de formação em risco, trauma e prevenção rodoviárias para debater um fenómeno reconhecidamente relevante na sociedade portuguesa contemporânea.
 
O programa de estudos deste Mestrado procura aprofundar a investigação em torno de várias áreas temáticas convergentes do risco e do trauma em sociedade, fornecendo as ferramentas de trabalho transdisciplinar a especialistas vocacionados para agir no terreno da prevenção e gestão de riscos e traumas, com o objectivo de em tempo útil responder de forma competente e empenhada aos desafios de um mundo feito de instabilidade.
 
A oportunidade de realização deste Colóquio no ISCTE surge assim como uma mais-valia não só para a divulgação dos estudos desenvolvidos, no seio desta e de outras instituições, mas também para cruzar e alicerçar conhecimentos, num ambiente de debate interdisciplinar privilegiado com especialistas de várias áreas, para obter uma visão mais abrangente e mais nítida da realidade da sinistralidade rodoviária neste país.
 
O Colóquio Interdisciplinar sobre Risco e Trauma Rodoviário em Portugal surge na esteira de outros eventos realizados no mesmo âmbito: o Colóquio interdisciplinar “Estrada Viva?” Aspectos da Motorização em Portugal (2002) e o Colóquio interdisciplinar “Espírito de Missão” Trauma e Medicina Humanitária (2006).
 
Quinta-Feira, 23 de Abril de 2009
9.30
Abertura: Presidente do Dept. Antropologia/ISCTE
Coordenação do Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade/ISCTE
10.00
1º PAINEL – RISCO RODOVIÁRIO E ACIDENTOLOGIA
Moderação: Manuel João Ramos (ISCTE)
 
Manuel João Ramos: “Guerra nas estradas: na berma da antropologia”
 
10.00
Modelização informática de conflitos emergentes no meio rodoviário
Major António Leal (GNR)
Divisão de Criminalística da Direcção de Investigação Criminal da GNR,
10.20
Sinistralidade rodoviária: Virtudes e falhas do seu registo estatístico
António Gomes Belo (DGSP)
10.40
Grupos de risco no meio rodoviário: o caso de Lisboa
João Pinheiro (PSP)
Debate: António Medeiros (ISCTE)
11.15
Pausa para café
 11.30-13.00
Mesa Redonda: Risco e homeostase
Victor Meirinhos (MRTS-ISCTE); Rodolfo Soares (MRTS-ISCTE); Ana Rita Moreira (FCSH-UNL)
13.00-14.30
Pausa para almoço
14.30
2º PAINEL – TRAUMA RODOVIÁRIO: DA EMERGÊNCIA À RECUPERAÇÃO
Moderação: Filomena Araújo (FCM/UNL)
14.30
Emergência médica: problemáticas da assistência às vítimas de trauma rodoviário
Pedro Lavinha (INEM)
14.50
PSPT em vítimas de acidentes rodoviários
Tânia Pires (IEP/Universidade do Minho)
15.10
A importância da abordagem multidisciplinar na recuperação da vítima de trauma rodoviário
Beatriz Condeça (Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão)
Debate: Luísa Lima (ISCTE)
15.45
Pausa para café
16:00-17.30
Mesa Redonda: Trauma, Stress e culpa
Maria João Martins (MRTS-ISCTE); Maria Emília Agostinho (Nossa Âncora); Paulo Carvalho (BTLS)
 
Sexta-Feira, 24 de Abril de 2009
 
10.00
3º PAINEL – PREVENÇÃO DO RISCO RODOVIÁRIO
Moderação: Manuel João Ramos (ISCTE)
10.00
Formar ou sensibilizar para a segurança rodoviária
Luís Escudeiro (EMSDrive)
10.20
Avaliação da formação avançada para a condução reactiva em Portugal
António Macedo
(CR&M)
10.40
A importância do meio viário na redução de riscos na condução
Mário Alves (Especialista em Transportes e Mobilidade)
Debate: Nuno Salpico (CSMagistratura / OSEC)
11.15
Pausa para café
11.30-13.00
Mesa Redonda: A segurança rodoviária existe?
António Gomes Belo (DGSP); Marta Pereira (ISEC);
Pedro Magalhães Oliveira (ADETTI-ISCTE);
 
 
 
Luís Cardoso (Liberty Seguros, S.A)
13.00-14.30
Pausa para almoço
14.30-16.30
Programa de demonstração de meios de prevenção e socorro à vítima de acidente rodoviário, no Átrio exterior do ISCTE (com a colaboração do BTLS - Portugal, da Academia de Condução Segura e da CR&M – Formação Activa de Condução)
17.00
Encerramento
ISCTE, Edifício II, Auditório B203 Av.ª das Forças Armadas 1649-026 Lisboa
iscte.pt

 

publicado por cambiantevelador às 10:01
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