Domingo, 9 de Maio de 2010

Concessões Rodoviárias...

Desde a década de 1970 que Portugal tem vindo a desenvolver de forma significativa

a sua rede rodoviária.

 

A qualidade do asfalto de muitas estradas melhorou bastante e o país que em 1985, tinha 180 quilómetros de auto-estradas, em 2009 chegava a cerca de 2800 quilómetros.

 

Tudo este crescimento da rede viária permite, sem dúvida, o desenvolvimento de várias regiões mas, o impacto ambiental de todas estas infra-estruturas no meio ambiente tem também os seus custos.

Temos de questionar se as estradas foram construídas em terrenos desafectados da Reserva Agrícola Nacional ou da Reserva Ecológica Nacional, por exemplo, ou seja, a inutilização de terrenos com aptidão para outro tipo de utilização.

 

Temos casos de auto-estradas e vias rápidas construídas em plenas áreas protegidas.

Serão inevitáveis os efeitos causados na vida selvagem como o atropelamento de animais; apesar da existência de “Ecodutos (Passagem Específica para Grande Fauna) ou passagens inferiores agrícolas para a restante fauna, as malhas das redes de vedação permitem a passagem de animais de pequeno porte e não conseguem impedir de todo os efeitos nocivos para uma boa parte dos animais.

 

Para além dos atropelamentos dos animais, os efeitos causados pelo trânsito automóvel, como o ruído, a poluição, o lixo que tantas vezes é atirado dos automóveis ou a iluminação dos faróis, causam danos nos ecossistemas e na biodiversidade.

No que diz respeito à atitude das pessoas, estão mais consciencializadas e sabem que atirar um cigarro pela janela do automóvel pode provocar um incêndio florestal. Já no caso de uma estrada construída mais elevada, o risco de cheias ou o risco de derrocadas em consequência da instabilidade dos taludes, são muitas vezes inevitáveis.

 

Outros efeitos nocivos são por exemplo, a contaminação das águas subterrâneas (aquíferos) e das águas superficiais como os rios ou os lagos, por efeito das águas pluviais, misturadas com substâncias oleosas libertadas pelos automóveis e isto, apesar do substancial melhoramento do parque automóvel em Portugal nos últimos anos.

 

Com o aumento do número de automóveis por pessoa e por cada nova estrada construda, incentiva-se cada vez mais a utilização do automóvel que por enquanto, é um dos meios de transporte mais poluentes e com enorme contribuição para o efeito de estufa.

 

Surgem ainda os impactos sociais do trânsito automóvel e na saúde das pessoas; pelo ruído, pelos poluentes libertados para a atmosfera ou pelo aumento do risco de acidentes rodoviários que são um drama em todo o mundo e em Portugal um flagelo social.

 

Em Portugal, apesar do crescimento exponencial das estradas, o estado decidiu “reformular” a GNR - Brigada de Trânsito, tendo como efeito a diminuição da fiscalização do cumprimento do Código da Estrada e o número de acidentes com mortes na estrada a não diminuírem como proposto pela Autoridade de Segurança Rodoviária (ANSR).

 

Um dos impactos mais imediatos na vida das pessoas com a construção de estradas, são as expropriações para a sua construção. Estas expropriações provocam verdadeiros dramas. A expulsão inevitável das suas terras e das suas casas para serem realojadas em locais onde em nada se identificam, ou perdem qualidade na sua vida, para não falar dos meios de subsistência que muitas vezes ficam perdidos e sem que as entidades oficiais consigam alternativas válidas.

 

Para além de todos estes problemas na construção de uma estrada, os custos financeiros envolvidos são astronómicos. Para além dos custos imediatos, os custos subsequentes podem ser também consideráveis. Os custos com a manutenção ou o incumprimento dos limites de emissões de gases de efeito de estufa acarretam custos para o Estado, ou seja, para todos.

 

Devido à actual crise financeira e à pressão dos partidos da oposição, o governo está a repensar as grandes obras públicas. Há momentos em que é preciso avaliar, pensar e debater. O investimento em transportes públicos em Portugal, continua a ser residual quando comparado com outros países europeus, nomeadamente, a vizinha Espanha. Os impostos deveriam ser canalizados para áreas mais prioritárias.

 

Consultas:

http://transparencia-pt.org/?search_str=estradas

 

 

Quando Lisboa e Porto ficaram mais perto...

http://cambiantevelador.blogs.sapo.pt/53413.html

Concessão Baixo Tejo...

http://cambiantevelador.blogs.sapo.pt/48576.html

Brisa no Baixo Tejo...

Auto-estrada XXI... 

http://cambiantevelador.blogs.sapo.pt/39589.html

Manuel Pinho vs Brisa...

http://cambiantevelador.blogs.sapo.pt/37845.html

 

 

 

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.

 

Alberto Caeiro

 

 

publicado por cambiantevelador às 00:43
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